Pequenas solidões urbanas em texto bem-humorado de Dionisio Jacob
Assombros urbanos – Dionisio Jacob
Em meados nos anos 70, Décio Pignatari, em resposta aos intelectuais nostálgicos dos tempos em que os estilos duravam longos períodos, alertava para o fato de que apenas vivenciávamos a mudança no ritmo da própria mudança. De fato, o tempo necessário para que uma novidade fique velha é bem menor do que na época de nossos avós, ou de nossos pais, ou mesmo, se compararmos com hoje, da época em que Pignatari escreveu sobre isso. É por esse motivo – a mudança na velocidade da mudança – que um romance ambientado nos anos 80 parece, a muitos leitores do século XXI, algo como uma variante pós-moderna do gênero “romance histórico”. Mais ainda se os personagens de tal romance trazem as marcas de suas aventuras estéticas, comportamentais e eróticas vividas na década de 70. Saber disso talvez ajude a ler o novo livro de Dionisio Jacob, Assombros urbanos (Companhia das Letras, 256 pp., R$ 37). O personagem principal chama-se Lima e em 1974 participou da primeira e única encenação de um espetáculo teatral em que levava duas horas para atravessar, nu, um palco de seis metros.
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