Como se faz um mito definitivo
Foi uma partida digna de final de campeonato, daqueles disputados só entre grandes equipes. De um lado, o escritor José Castello, experiente jornalista carioca, tarimbado em biografias e estudos críticos de poetas, como Vinicius de Moraes e João Cabral de Mello Neto. Do outro lado, soberbo como convém às lendas, pairava o mito de Pelé, o camisa 10 da Seleção Tricampeã, o eterno campeão do Santos, o atleta do século. Escalado pela editora Ediouro, o jornalista vestiu o uniforme de pesquisador, calçou as chuteiras da determinação e entrou no jogo com fome de gol. O placar final está chegando às livrarias: é Pelé, os Dez Corações do Rei (240 pp., R$ 29), título que integra a coleção Avenida Paulista. Não se trata de uma biografia ao pé da letra. Muito menos de uma miscelânea de fatos que apimentariam fofocas. Os Dez Corações do Rei dribla a moda das indiscrições e persegue o que sempre pareceu inatingível – a possível explicação para que o garoto Edson Arantes do Nascimento, nascido em Minas Gerais, se tornasse um ídolo reverenciado e reconhecido nos quatro cantos do mundo.
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