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O Brasil bem na foto

06 de dezembro de 2003
2 min de leitura

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O Brasil olha hoje para a própria história. Mais propriamente para a história de sua fotografia. Já era tempo. Em mais de 160 anos de existência, a arte fotográfica se renovou em técnica e expressão, mas sua bibliografia no país estava longe de lhe fazer justiça. Este ano, o quadro começou a mudar, com uma série de lançamentos. Os belos e profundos estudos O Brasil na fotografia oitocentista, de Pedro Karp Vasquez, e Labirinto e identidades: panorama da fotografia no Brasil (1946-98), de Rubens Fernandes Júnior, são algumas das obras que chegam às prateleiras para engrossar um catálogo fotográfico em plena expansão. Alguns fotógrafos, como Pierre Verger, estão presentes no labirinto de Rubens Fernandes Júnior e também em Visões e alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira na coleção de Joaquim Paiva. Com caráter mais marcadamente histórico, Guerra do Paraguai: memórias e imagens, de Ricardo Salles, editado pela Biblioteca Nacional, não é exclusivamente um livro de fotografia. Mas, dentre o valioso material iconográfico reunido, encontram-se fotos raras. Das imagens da guerra, é possível passar para a tranqüilidade da São Paulo do começo do século passado. Publicado pela Melhoramentos, São Paulo anos 20: andar, vagar, perder-se nasceu de uma descoberta feita no arquivo centenário da própria editora: 40 negativos de vidro em tamanho 18 x 24 cm, que traçam um desenho poético da paisagem urbana paulista. O Rio também entra em foco com o lançamento de Rio de Janeiro: ontem & hoje 2, continuação do trabalho que coloca lado a lado imagens do Rio antigo e do atual. Trabalhos autorais também têm ganhado espaço no cenário editorial, vide livros recentes de Rosângela Rennó, José Bassit e Walter Carvalho, os três editados pela paulista Cosac & Naify. “Temos um projeto sério de criar um catálogo orgânico de fotografia, não só com estrelas, mas abordando as vertentes de produção, teoria e publicações nacionais e internacionais”, diz Samuel Titan, editor da Cosac & Naify. “Existe um público carente que está consolidando um mercado na área”, frisa Samuel.

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