Como o capital usa os livros sagrados
A queda do muro de Berlim colocou por terra não só os últimos pilares que sustentavam a doutrina comunista na Europa. Provocou também uma avalanche de livros de historiadores que sustentam teses sérias (e outras nem tanto) sobre as relações – em geral promíscuas – entre religião e capital. Um tema até então considerado de interesse privado passou a ser discutido publicamente por historiadores. Dois bons exemplos dessa avalanche editorial são os livros A Bíblia Inglesa e as Revoluções do Século XVII (Editora Civilização Brasileira, 658 pp., R$ 66) e Os Judeus, O Dinheiro e o Mundo (Futura, 640 pp., R$ 79). O primeiro, escrito pelo historiador marxista inglês Christopher Hill, morto em fevereiro deste ano, é um estudo brilhante sobre o impacto que a versão inglesa da Bíblia, no século XVI, provocou na sociedade no século seguinte. O segundo é um polêmico ensaio do ex-conselheiro do presidente francês François Mitterand, o banqueiro Jacques Attali, que tenta, oportunamente, acabar com a preconceituosa atitude de culpar os judeus pelas sucessivas crises econômicas do mundo.
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