Paulicéia Desvairada cria disputa judicial
Mais de 80 anos depois de causar estardalhaço nos meios literários, o livro Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade, reaparece com barulho, desta vez nos bastidores editoriais. A história envolve de um lado a principal estudiosa da obra do modernista, a professora titular da USP Telê Ancona Lopez; de outro, a editora Landmark. Em outubro deste ano, a jovem casa editorial anunciou que publicaria uma edição de Paulicéia Desvairada organizada por Ancona Lopez. Na última quarta, porém, a Landmark enviou comunicado para a imprensa anunciando que cancelava o lançamento da obra, já impressa. A editora alegava ter ficado sabendo do lançamento pelo consórcio Edusp/ Ed. UFMG/Imprensa Oficial da Caixa Modernista, que incluía edição fac-similar de Paulicéia. “A editora Villa Rica [que tem os direitos de Mário] agiu de má-fé ao vender a obra com exclusividade para nós e também para a Edusp”, disse Fábio Cyrino, editor da Landmark. Procurada pela reportagem, Ancona Lopez negou que fosse a quebra de exclusividade o motivo do cancelamento. Segundo ela, a Landmark cancelou o lançamento por saber que ela e a professora Tatiana Longo dos Santos, que haviam sido contratadas para organizar a nova versão de Paulicéia, estavam tomando ações legais contra a editora. As duas estudiosas alegam que não puderam corrigir o texto final do livro, que foi “assinado” com o nome de ambas, e que quase todas as páginas da edição da Landmark acabaram saindo com alguma incorreção.
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