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A amazônia vista do chão

24 de novembro de 2003
2 min de leitura

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Há 30 anos, quando ia de avião para Manaus, o então fotógrafo jornalístico Pedro Martinelli adquiriu o hábito de cronometrar quanto tempo se passava entre o último resquício de casa e roça e os sinais de proximidade da capital amazônica. O percurso de 1h40 naquela época reduziu-se quase pela metade hoje. “Perdemos uma hora, de
Boeing, a 900 km/h, em linha reta”, alerta ele, que há décadas se dedica a registrar de perto as belezas e tragédias da região que vem sendo destruída pelo descaso e ambição do homem, substituindo o olhar frio dos satélites e as análises feitas em escritórios confortáveis por longas caminhadas mato adentro, na tentativa de mostrar de perto como vive o homem do mato, o índio e o caboclo. “O olhar sobre a Amazônia não deve se resumir apenas à beleza natural dos bichos e da floresta. A foto para mim é suporte para atacar essa desgraça que acompanho há décadas”, diz Martinelli tentando explicar porque retorna constantemente e obsessivamente ao mesmo tema, mesmo que por enfoques e ângulos distintos. O mais novo resultado desse processo é o livro Mulheres da Amazônia (Jaraqui, 176 pp., R$ 80,00), que o fotógrafo lança esta noite no Museu da Casa Brasileira (Av. Brig. Faria Lima, 2.705, tel. 3032-3727), às 19h30.

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