O sertão alemão de Rosa
Aos 93 anos de idade, o alemão Curt Meyer-Clason já encarou de tudo um pouco na vida. Mas nunca as coisas foram tão difíceis quanto no começo dos anos 60. Munido apenas de um dicionário e de lembranças dos anos que vivera no Brasil, ele se pôs a traduzir para o alemão expressões como “A crêvo!”, “Crondeúbas”, “antes esses desrodeamos” ou a “prosáica” “dei rapadura ao jumento”. O ex-funcionário de uma indústria de algodão recriava na língua de Kant Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, a provavelmente mais intraduzível obra da história da literatura brasileira. Meyer-Clason não apenas atravessou ileso o Liso do Sussuarão como saiu dessa jornada com um bom punhado de elogios superlativos. “É o melhor de todos os meus tradutores, provavelmente um dos melhores que há no mundo”, cravou Guimarães Rosa. A editora Nova Fronteira está colocando no mercado nos próximos dias o volume João Guimarães Rosa: Correspondência com Seu Tradutor Alemão Curt Meyer-Clason (Nova Fronteira / Academia Brasileira de Letras / Editora UFMG, 448 pp., R$ 49). Organizado pela professora Maria Apparecida Bussolotti, o trabalho reproduz toda a troca de cartas entre escritor e tradutor, material inédito.
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