Aberta a temporada de caça
Quando moleque, nas margens dos nove anos, Davi Arrigucci Jr. já se enfiava nos brejos da paulista São João da Boa Vista com seu rifle tcheco CZ para atazanar a vida de perdizes, patos e codornas. Décadas depois, professor titular da Universidade de São Paulo, ele continuava perseguindo os penados mata adentro. Até que, recentemente, Arrigucci começou um tipo de caçada diferente. Um dos principais críticos literários do país, ele pulou para o outro lado do balcão. Aos 60 anos, Arrigucci está estreando como ficcionista. Ele lança hoje, em São Paulo, a novela Ugolino e a Perdiz (78 pp., R$ 29), pela editora Cosac & Naify. O autor de ensaios clássicos como O Escorpião Encalacrado (sobre o argentino Julio Cortázar) e O Cacto e as Ruínas (sobre Manuel Bandeira e Murilo Mendes) entra no bosque da prosa com o mesmo ímpeto silencioso de um caçador.
Em enxutas 78 páginas, ele conta a história de Ugolino Michelangeli, matuto que resolve sair em busca de uma perdiz encantada.
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