No Brasil, Júlio Verne diverte com didatismo
Será possível ler Júlio Verne (1828-1905) hoje em dia? Creio que sim. Mas não é fácil dizer por quê. Quem busca entretenimento irá sorrir diante de aventuras tão pacatas, tão rasas de adrenalina, como as propostas neste A Jangada (Planeta, 371 pp., R$ 38). Intoxicados de inovação tecnológica, também sorrimos ao notar o entusiasmo de Verne com o funcionamento do escafandro, nesta novela publicada originalmente em 1881. Há uma curiosidade particular, contudo, em ler um romance de Júlio Verne que se passa em terras brasileiras. Chega a ser tocante o capricho com que o autor Verne descreve o fenômeno da pororoca, o canto do inhambu, a iminente extinção do peixe-boi, o valor nutritivo do açaí, as fibras da piaçava, a sanha dos urubus.
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