Drama dilui conflito em modorrento cotidiano
Anacoluto Camargo Neves, protagonista e narrador do primeiro romance do gaúcho Walter Galvani, Anacoluto do Princípio ao Fim (Record, 240 pp., R$ 30), não é flor que se cheire. Ruralista, latifundiário, não se envergonha de sua alienação diante dos fatos históricos nem procura ocultar suas posições reacionárias. Anacoluto herdou toda a sua riqueza. Vive principalmente do arrendamento de suas terras, ou, como ele mesmo define, não passa de um “gigolô de vaca”. O romance apresenta alguns problemas de andamento narrativo, o mais flagrante dos quais talvez seja o do esfacelamento do herói. A demasiada rapidez com que ele ocorre pode ser interpretada como sintoma da doença, mas não deixa de causar no leitor a sensação de coisa interrompida de forma abrupta. Um anacoluto, quem sabe?, por fim.
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