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Muito além de monges e montanhas cobertas de neve

19 de julho de 2003
1 min de leitura

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O leitor desavisado que entrar numa livraria e se encantar com a bela edição de Papoulas vermelhas (Objetiva, 436 pp., R$ 56,90), de Alai, em que consta o subtítulo ”Um romance do Tibete”, vai sem dúvida se surpreender mais tarde. Na capa, o perfil de um jovem monge budista mistura-se ao fundo de montanhas cobertas pela neve e encimadas por um céu totalmente azul. É um daqueles livros que dão vontade de comprar só pela capa e, dependendo do leitor, pela promessa de acompanhar uma saga ficcional que transite pelos ricos meandros do budismo tibetano. Já na leitura da orelha do livro, porém, vem o susto: ”estilos de vida suntuosos e sensuais, encontros apaixonados e rixas sanguinárias”? ”Tráfico de heroína, patrocinado pelos nacionalistas”? Isso mesmo. Papoulas vermelhas não tem nada a ver com budismo, e o jovem monge da capa não diz a que veio. O romance de Alai, escrito em chinês e publicado aqui a partir da tradução americana, é situado nos anos 30, no Leste do Tibete, que poucas ligações tinha com os centros religiosos de Lhasa e Shigatse, a Oeste. Esclarecido esse ponto, o leitor que seguir adiante em busca de méritos essencialmente literários não ficará desapontado.

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