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Palhaços no centro do picadeiro

18 de julho de 2003
2 min de leitura

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Sob a lona, numa tarde chuvosa de um dia aparentemente sem importância, na década de 1980, vários alunos da Escola de Circo Picadeiro, em São Paulo, assistiram a uma palestra do até então único estudioso de circo do país, Júlio do Amaral Gouveia. Conhecido na boêmia paulistana como Julinho Boas Maneiras, foi amigo de Oswald de Andrade e de Abelardo Pinto, o palhaço Piolin. Desde que ouvi Boas Maneiras naquela tarde, aprendi que para ser o palhaço que eu sonhava, deveria me dedicar além das técnicas circenses ao estudo de sua história e, principalmente, refletir o sentido ético e a função social da profissão que eu escolhera. Boas Maneiras se foi. Pensei: “nunca mais encontraremos ninguém que se disponha a estudar e pensar o circo brasileiro”. Fui fatalista, pois felizmente existe gente como Mário Fernando Bolognesi, autor de Palhaços (Unesp, R$ 29). A visão crítica adotada pelo autor não se submete ao fascínio que a arte circense gera em quem se envolve com ela. Isto não significa que seja uma narrativa fria e distante. Ao contrário, carregada de humor e livre de nostalgia, o texto flui e saboreia os mistérios do picadeiro e os analisa com conhecimento de um trapezista que voa sobre o assunto com domínio técnico e segurança.

*Hugo Possolo é palhaço, dramaturgo e diretor do grupo Parlapatões

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