Lapidação de escritores
Um office-boy que estuda grego e escreve contos parece personagem de ficção. Mas não é. Figura real, surgiu de um cenário que tem fabricado outros tantos candidatos a escritor com história à beça para contar. São os alunos das oficinas de Literatura da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que hoje se espalham não só pelo campus do Maracanã, como também por duas outras unidades da universidade na periferia do Rio – em São Gonçalo e Duque de Caxias. À frente das aulas, um respeitável time de escritores brasileiros. Em 1999, quando entrou para a oficina de literatura de um dos professores, o autor Antonio Torres, Mariel F. dos Reis tinha 23 anos, estudava Letras na Uerj à noite e, durante o dia, procurava emprego. Como gostava de escrever e já estava cansado de bater em portas que não se abriam, viu na oficina a chance de um caminho novo. Logo no primeiro dia de aula pediu permissão para ler em voz alta um conto seu. A turma aplaudiu. A partir daí, Mariel se integrou ao grupo e, graças às amizades que fez ali, conseguiu seu primeiro emprego, como office-boy. O talento literário floresceu. Um de seus contos, O cortejo, foi parar na revista Ficções, da 7 Letras.
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