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Nilza Rezende exorciza os deuses adúlteros

21 de junho de 2003
1 min de leitura

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Desconcertante é boa palavra para iniciar um breve comentário sobre Um deus dentro dele, um diabo dentro de mim (Record, 96 pp., R$ 20), novela de Nilza Rezende. Não que trate de novidades, e sim de uma mulher que se descobre traída, sofre, manda o marido embora, sofre e segue adiante. Novelas de TV vivem disso. Mas esta é uma novela decididamente válida pela narrativa fluida, mostrando no que dá a passividade num relacionamento a dois – aquele momento em que baixar a cabeça e apenas dizer sim (mesmo que por paixão, vá lá) deixa de ser gentileza ou desprendimento, e torna-se submissão de um lado, correspondida pelo desdém do outro. É nesse ponto que a paixão destrambelha, que o amor se esgarça, e geralmente só se percebe isso quando é tarde demais. Nilza Rezende sabe bem o quanto a grande maioria dos leitores confunde a vida do narrador com a vida do autor. Daí que a escritora deixa claro logo na abertura desse seu livro de estréia: “E antes que me perguntem, vou logo avisando: tudo isso aconteceu comigo e nada disso aconteceu comigo”.

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