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Província atrevida

21 de junho de 2003
2 min de leitura

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Cataguases tinha dessas coisas: plantava café e colhia cinema e literatura. Não se confundia com as dimensões da província. E nos primeiros anos do século 20, enquanto o Brasil rural catava carrapatos e sofria com a ancilostomose e outras doenças que vinham da terra, a cidade, situada na Zona da Mata de Minas, assumia a dimensão espiritual das metrópoles para inventar a qualidade no cinema nacional: Humberto Mauro rodou em Cataguases, entre 1925 e 1926, o longa-metragem “Na primavera da vida”. Outro caminho – e desta vez na literatura – era aberto ao mesmo tempo e no mesmo lugar por um grupo de meninos que tinham o atrevimento de pensar modernamente e decidiram editar a revista Verde. Um marco de vida efêmera mas luminosa dentro do panorama geral da literatura brasileira. Teve como colaboradores Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava. O escritor Luiz Ruffato, que nasceu lá, publicou agora uma verdadeira cartilha de iniciação ao fenômeno de Os ases de Cataguases (Instituto Francisco de Souza Peixoto, 126 pp.), com o subtítulo de “Uma história dos primórdios do Modernismo”. Um outro livro que partilha desse mergulho no tempo e no rumo do grupo de Cataguases é o romance ASA: Associação dos Solitários Anônimos (Ateliê Editorial, 282 pp., R$ 32), de Rosário Fusco, até então inédito.

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