O homem que preferia os proles
Nada seria como antes em 1984, quando a história chegaria a um fim – como pesadelo. George Orwell – nome de batismo Eric Arthur Blair – , nascido há 100 anos no dia 25 de junho, criou uma das mais desesperadas anti-utopias sobre o totalitarismo jamais escritas. 1984 (Companhia Editora Nacional, 304 pp, R$ 35) e a sátira A Revolução dos Bichos, retiraram as dificuldades materiais da vida de Orwell e lançaram-no a uma dúbia fama, da qual ele não se aproveitaria. Em janeiro de 1950, pouco depois de terminar sua obra mais pessimista, ele morreu vítima de complicações pulmonares. Deixara para trás um legado de nove livros e mais de 700 artigos e ensaios. Orwell foi um socialista convicto. Nascido em Bengala, estudou na aristocrática Eton e jamais voltou a por os pés na escola. Fez um voto de pobreza e rumou para a guarda britânica na Birmânia com 19 anos. Lá, provou o gosto amargo do imperialismo e arrependeu-se para sempre. Converteu-se ao socialismo sozinho. Vagabundeou por Paris, onde passou fome. Juntou-se a mendigos e perambulou pelo interior da Inglaterra, o que o levou a seu primeiro e ótimo livro Down and out in Paris and London (1930), mistura de ficção e jornalismo.
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