E Leonídia morreu de amor pelo poeta
Três mulheres marcaram a vida do poeta baiano Antônio de Castro Alves: a atriz Eugênia Câmara, a professora de piano italiana Agnèse Murri, e a mais obscura delas, Leonídia Fraga, que a história literária trata como uma “namoradinha da infância”. É provável que, entre as três, Leonídia tenha sido, de fato, aquela por quem Castro Alves viveu um amor menos intenso, que talvez nem mereça esse nome. Mas, num exame na perspectiva feminina, é verdade que Eugênia e Agnèse foram musas de Castro Alves, mas não tiveram por ele um amor tão intenso quanto Leonídia. A poeta e jornalista baiana Myriam Fraga, também diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador, há muito se interessa pela figura e pelo drama de Leonídia. Escreveu um lindo livro, Leonídia, a musa infeliz do poeta Castro Alves (Ed. Casa de Palavras, BA, 2002), numa edição praticamente esgotada, e que merece a atenção de editores do eixo Rio-São Paulo. Um livro não sobre o amor entre Leonídia Fraga e Castro Alves, pois nem houve amor, mas sobre a força da paixão enlouquecida que aparece, com sua potência poética e seu desprezo pela realidade, para tapar o vazio deixado pelo amor não-correspondido.
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