Quilombo, o jornal do negro, é reeditado
De dezembro de 1948 a julho de 1950, um grupo de intelectuais negros, liderados por Abdias do Nascimento, fez publicar dez edições de Quilombo. O jornal estabeleceu um novo patamar na discussão dos problemas raciais do País, explicitando uma agenda política que rejeitava “a piedade e o filantropismo aviltantes” e lutava “pelo seu direito ao Direito”. A pauta de Quilombo, que acaba de ganhar uma edição fac-similar de seus números (Editora 34, 128 pp., R$ 38), impressiona, ainda hoje, por vários motivos. Em primeiro lugar, pela autoria dos textos. “À maneira dos melhores jornais americanos ou franceses da época, o Quilombo congregava, num mesmo espaço político e cultural, intelectuais negros e brancos, que emprestavam sua grandeza para a construção do pós-racismo brasileiro: gente da envergadura de Guerreiro Ramos, Ironides Rodrigues, Edison Carneiro, Solano Trindade; ou do quilate de Nelson Rodrigues, Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre, Arthur Ramos, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Péricles Leal, Orígenes Lessa, Roger Bastide, para ficar nos maiores”, escreve Antonio Sérgio Alfredo Guimarães na introdução à edição.
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