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A tropicália reprimida

28 de abril de 2003
1 min de leitura

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“Eu sou o tropicalismo.” A frase é do artista gráfico, poeta e escritor Rogério Duarte, 64. Se o tropicalismo for de fato Rogério Duarte, será também a curva que marca sua própria história pessoal. De ícone pop de sucesso como artista gráfico entre 63 e 68, passou a torturado como agitador comunista pelo regime militar, banido nas “matas baianas” pelo AI-5, esquizofrênico internado em hospícios nos 70, antiícone do ostracismo daí por diante. Citado por Elio Gaspari no livro A Ditadura Envergonhada como co-protagonista de um dos episódios-símbolo que conduziriam ao terror pós-AI-5, Duarte publica agora pela primeira vez testemunho de punho próprio. No livro Tropicaos (Azougue Editorial, 178 pp., R$ 39), reúne fragmentos e reconstituições de uma extensa obra literária inédita em que, tomado de medo da perseguição militar, ele ateou fogo no início dos anos 70.
Daquilo só restou o mais importante: um depoimento sobre a prisão e a tortura escrito no calor da hora, que só sobreviveu à fogueira porque havia sido antes confiado, sigilosamente, ao psicanalista Hélio Pellegrino.

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