Canudos, nossa guerra sem fim
Nestes negros tempos quando a guerra corre o risco de banalização, torna-se oportuna a leitura de dois livros sobre aquele que, sem dúvida, foi o mais sangrento conflito interno da República brasileira: a guerra de Canudos. O primeiro, Canudos: história em versos (Imprensa Oficial-SP / Edusp / Hedra, 344 pp., R$ 38), de Manuel Pedro das Dores Bombinho, é uma raridade, um poema com 5.984 versos escritos no calor da hora. O autor, um poeta sergipano, nascido entre os anos 1860 e 1870, acompanhou, como fornecedor de víveres, os combates do Exército brasileiro contra o Arraial de Antonio Conselheiro, da 4ª expedição até o final da guerra, em outubro de 1897. O livro foi organizado pelo pesquisador Marco Antonio Vila após precioso trabalho de recuperação do texto, uma vez que os originais desapareceram misteriosamente da Biblioteca Pública de Sergipe. O outro lançamento sobre o evento trágico de Canudos é o resultado de minucioso trabalho de organização do pesquisador baiano, Antonio Olavo: Histórico e relatório do Comitê Patriótico da Bahia (1897-1901) (Portfolium Editora), coordenado por Lélis Piedade. O livro focaliza a etapa que se seguiu aos anos do conflito armado. Trata-se de edição revista e aumentada com textos do pesquisador Antonio Olavo, relativa à publicação de 1901 sobre o trabalho do Comitê Patriótico da Bahia, de autoria de Lélis Piedade, secretário do Comitê e correspondente do Jornal de Notícias na ocasião. Os relatos do Comitê são surpreendentes, evidenciando que o final da guerra deixou como marca o extermínio indiscriminado dos prisioneiros.
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