Prosa de Hartley envolve
Há romances para ler de conta-gotas; outros, de colherada. Este último é o caso de O Mensageiro (Nova Alexandria, 248 pp., R$ 33), elogiadíssima ficção do escritor britânico L.P. Hartley, que ganhou as telas na batuta de Joseph Losey em 1971 e só agora, 50 anos após sua publicação, é traduzida no Brasil.
Essa “obra-prima da inocência perdida”, como foi definida pelo jornal inglês The Guardian, apresenta de fato camadas de sentido sutilmente armadas que, apesar da prosa formal e algo antiquada, nos envolve com seu longo véu de sugestões e implicações, animando-nos a abocanhar pedaços cada vez maiores. A história manifesta se dá em torno de um menino de 12 para 13 anos, Leo Colston, convidado para passar as férias de verão numa suntuosa casa em Norfolk, no interior da Inglaterra, em 1900. Ali ele trava contato com pessoas de classe superior à sua e exerce papel a princípio resoluto, depois vacilante, de garoto de recados para um casal apaixonado.
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