O discurso rigoroso de Gilberto Gil
O estilo tropicalizante do novo ministro da Cultura já se sobrepõe à paisagem da Esplanada dos Ministérios. Na solenidade de transmissão do cargo, as palavras do cantor baiano ministro de Estado causaram espécie entre os circunstantes – nem tanto por seu conteúdo, mas muito mais pela forma. Gil, no entanto, mostrou-se mais rigoroso do que foram alguns severos críticos da condução cultural da Era FHC. “O ministério não pode, portanto, ser apenas uma caixa de repasse de verbas para uma clientela preferencial”, afirmou, sugerindo que sabe que existe uma “clientela preferencial”, que a conhece e que ela deverá deixar de ser prioridade na sua gestão. O discurso ainda antecipou medidas, planos e projetos. “Ao investir nas condições de criação e produção, estaremos tomando uma iniciativa de conseqüências imprevisíveis, mas certamente brilhantes e profundas”, afirmou o cantor, anunciando o desejo de retomar a capacidade de investimento direto do Estado no setor. O cantor, além de clamar por uma visão menos burocrática da questão cultural, também prometeu empenhar-se pessoalmente nisso. “Sabemos que é preciso, em muitos casos, ir além do imediatismo, da visão de curto alcance, da estreiteza, das insuficiências e mesmo da ignorância dos agentes mercadológicos.”
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