Vale quanto vende
Deu no Washington Post: medalhões como Stephen King, Tom Clancy e Michael Crichton estão em baixa. Se em abril de 2001, Dreamcatcher, de King, vendeu 55 mil cópias na primeira semana, Everything’s eventual e From a Buick 8, deste ano, não passaram dos 30 mil. The Bear and the Dragon, de Tom Clancy (2000), vendeu cem mil na primeira semana. Red Rabbit (agosto passado), 68 mil. Os números provocam um chororô danado entre os editores americanos: eles detestam ver os adiantamentos que pagam corriqueiramente a estes autores escorrerem pelo vaso sanitário dos encalhes. Na última feira de Frankfurt, falou-se muito sobre um certo medo generalizado de quebradeira. A economia global não está para peixe, os preços dos livros subiram em média US$ 15 em poucos anos, as cadeias fazem devoluções monstruosas, e as pontas de estoque tratam livros como ceroula. Na hora de tropicalizar a questão, cabe a pergunta: e nós com isso? Afinal, como diz o editor Carlos Augusto Lacerda, da Nova Fronteira, americano vê tudo como se fosse bolsa, até que a bolha estoura. Ou, na ótica de Luciana Villas Boas, da Record, a ditadura dos agentes literários, e a falta de lealdade dos autores vulgarizaram o mercado. De conversas entre editores cariocas, em recente reunião de confraternização, emerge um dado interessante: aqui, 2/3 da receita das editoras provêm de catálogo básico. O 1/3 restante corresponde às novidades, aos títulos de venda rápida e às apostas brasileiras momentâneas.
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