Certos tons de moral libertária
Para um zeloso pai de família classe média do Rio de Janeiro da década de 1950, deve ter sido difícil não dar importância ao que Nelson Rodrigues (1912-1980) escrevia diariamente sobre adultério no jornal Última Hora. Durante dez anos, de 1951 a 1961, sua coluna “A Vida como ela é…” vivia na boca do povo, como uma das mais lidas da imprensa carioca. As donas de casa conservadoras, então, viam em seus relatos uma pouca-vergonha desmedida, uma afronta à instituição da família. Quatro décadas depois, ao reler suas histórias, percebe-se que o autor se mostrava mais um libertário que um libertino, embora fosse visto muitas vezes de modo oposto. Um bom exemplo disso está na ótima coletânea que acaba de sair, Pouco Amor Não é Amor (Cia das Letras, 216 pp., R$ 29), terceiro volume lançado este ano com sua produção para a imprensa e que marca a retomada do resgate de sua vasta obra.
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