Saramago dá lição sobre a identidade
Escrever sobre duplos ou sósias se torna extremamente perigoso, quando já se tem toda uma tradição literária ricamente voltada para o tema, com autores mais do que consagrados já tendo brincado a valer em sua ficção fantástica com seres desdobráveis que se multiplicam na face de lagos, espelhos, em sonhos ou em mundos paralelos. Daí ser normal que qualquer leitor — ou pelo menos o leitor um pouco experiente em delírios e fantasias latino-americanas — se sinta tomado de receios ou fique com um pé atrás ao verificar que José Saramago, sempre tão árido e cerebral, mesmo quanto tenta tocar as fímbrias da magia, ousou enfrentar este arquétipo do imaginário literário, em seu livro O homem duplicado (Cia. das Letras).
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