Elogio da impureza
“As pessoas são injustas com a raiva. Ela pode ser vivificante.” Assim escreveu certa vez o americano Philip Roth. E a raiva tem sido, de fato, a sua musa mais constante. Ela está presente nas páginas iniciais de A Marca Humana (Companhia das Letras, 454 pp., R$ 45), na forma de uma inspirada diatribe contra a histeria que varreu os Estados Unidos em 1998, depois que a estagiária Monica Lewinsky e o presidente Bill Clinton faltaram com o decoro nos salões da Casa Branca. “No Congresso, na imprensa, na televisão, os moralistas espalhafatosos de plantão, loucos para acusar, deplorar e punir, eram onipresentes.” É nesse ambiente, marcado pelo “êxtase da santimônia”, que se desenrolam os últimos meses de vida do antes respeitado professor judeu Coleman Silk.
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