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Isto É

Os e-books estão chegando

O desembarque da Amazon e da livraria digital da Apple no Brasil agita as editoras nacionais e promete mudar o hábito de leitura dos brasileiros

24 abril 2012

Gilberto Freyre digital

Digitalização do acervo de um dos mais importantes sociólogos do século XX aproxima a sua obra do mercado editorial e prova a atualidade de suas ideias

22 julho 2011

A química da diferença de idade

O que faz com que as relações entre mulheres experientes e homens jovens se tornem cada vez mais frequentes

31 janeiro 2010

Bom de bolso

Se é possível carregar no bolso um celular, um computador ou um aparelho de som (na forma de iPod ou mp3), por que não carregar um livro? Em quase todo o mundo, o pocket book é sucesso de público e engorda os cofres das editoras. No Brasil, esse formato de livro demorou a emplacar, mas chegou a sua hora. O empresário Sérgio Machado, presidente da Record, associou-se à canadense Harlequin e fundou a HR, exclusivamente de livros de bolso. "Queremos é competir no mercado de entretenimento", diz ele. Machado nada mais fez que pensar em diversão cultural e enxergar números, só que isso já é muito num mercado tão estreito como é o mercado editorial brasileiro. Por exemplo: coleções de livros de bolso destinadas ao público feminino e vendidas por até R$ 3,90 nunca mofaram nas livrarias. Então, por que não pensar nelas? A editora HR apostou, e com sucesso, naquilo que ela própria chama de livros descartáveis. A Ediouro ainda está testando o formato com a coleção de Guinness temáticos. Medindo 10 cm x 10 cm, eles custam R$ 9 e têm como alvos os adolescentes. A direção editorial da Nova Fronteira está tão satisfeita com a saída pelo "bolso" que pretende ampliar as vendas para "farmácias, açougues e postos de gasolina", diz o seu diretor, Carlos Barbosa. Para Alexandre Martins Fontes, diretor executivo da editora que leva o seu sobrenome, "livro de bolso não é o livro pequeno, é o mais barato, o que se consegue através de grandes tiragens".

24 maio 2006

Improbidade literária

A gestão de Pedro Corrêa do Lago na presidência da Biblioteca Nacional não pára de render surpresas. À frente de um acervo de dez milhões de peças e orçamento de R$ 30 milhões anuais, ele já foi acusado de várias barbeiragens. Funcionários da biblioteca responsabilizam seu presidente pela má conservação das obras e pelo relaxamento na segurança. Em julho, quando as câmeras de vídeo estavam quebradas, foram roubadas 150 imagens do Brasil do século XIX. Um dos imbróglios mais comprometedores é a revista Nossa História, lançada em novembro de 2003, em associação com a Administradora e Editora Vera Cruz Ltda. Na capa, lia-se que era "uma publicação editada pela Biblioteca Nacional", mas nenhuma licitação foi feita para legalizar a parceria. Só agora, no entanto, compreende-se seu real objetivo: no dia 29 de outubro de 2002, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial recebeu um pedido de registro da marca Nossa História em nome da Livraria Corrêa do Lago Ltda., editora que pertence ao presidente da BN. Auditores do Tribunal de Contas da União concluíram que a BN fez contratações indevidas, a pretexto de terceirização pela Fundação Miguel de Cervantes. A fundação, que deveria apoiar a biblioteca, foi beneficiada com transferências ilegais de recursos, muitas vezes superiores a R$ 50 mil mensais. Foram constatadas também irregularidades no uso dos recursos da Lei Rouanet por parte da Editora Capivara, que também pertence a Corrêa do Lago, em sociedade com sua mulher. Para os funcionários, o estado de conservação é lastimável. Enquanto Corrêa do Lago gasta dinheiro (cerca de R$ 100 mil) para transformar em gabinete o corredor do quinto andar e reformar os banheiros, faltam recursos para cuidar do acervo. Através de sua assessoria de imprensa, Istoé tentou contato com Corrêa do Lago em Paris. A assessoria repassou a resposta da "diretoria da Fundação Biblioteca Nacional", pela qual a instituição não pediu registro de marca em seu nome e não pode responder por terceiros. O terceiro, nesse caso, é Corrêa do Lago. Informa também "que o local onde estão armazenados os periódicos foi reformado recentemente, não há goteiras e atualmente está sendo feita uma revisão nas calhas dos telhados". As imagens publicadas nesta reportagem mostram o contrário. Para ver as fotos e a reportagem completa, clique no título desta matéria.

5 outubro 2005

Leitura dinâmica

Ser a maior editora do País em tempo recorde. A frase poderia ser um slogan meio óbvio da Editora Record, uma das grandes no ranking nacional. Mas esconde o plano ambicioso da Planeta do Brasil, que em apenas dois anos e meio de atividade está desestabilizando o mercado nacional com grandes contratações. De sua sala, no oitavo andar de um edifício que dá vista para o pulsante coração financeiro da avenida Paulista, em São Paulo, o diretor-geral da editora, o argentino César González de Kehrig, traça os objetivos da empresa. "A vocação da Planeta é essa. O grupo é líder em todos os mercados em que atua e o Brasil não pode ser exceção", afirma. Além de Fernando Morais, já se tornaram "planetários" o jornalista Zuenir Ventura, contratado para quatro livros inéditos; o sociólogo Paulo Lins, que tenta repetir o sucesso de Cidade de Deus com Plano mago; e Eric Nepomuceno, encarregado de um relato sobre o massacre de Eldorado do Carajás. Nos bastidores comenta-se que as conversas já estariam avançadas com Carlos Heitor Cony, Moacyr Scliar, Frei Betto e Ronaldo Costa Couto. O grupo espanhol estaria de olho também em Amyr Klink, Luis Fernando Verissimo e Drauzio Varella. Cautelosos nas negociações, Kehrig e o diretor editorial, Pascoal Soto, não confirmam nada. O avanço da Planeta, na chamada espanholização do mercado editorial brasileiro, traz na cauda o Grupo Oceano, especializado na área de paradidáticos, e a Edições SM, voltada para o público infanto-juvenil. Os planos de expansão da Planeta projetam para este ano um crescimento de 40% em relação a 2004.

12 setembro 2005

Parceria esquisita

O contraste entre os rendimentos do presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Pedro Corrêa do Lago, e a movimentação financeira declarada à Receita Federal entre 1998 e 2002 chamou a atenção da força-tarefa da Controladoria Geral da União, que investiga a sonegação fiscal e o enriquecimento ilícito por parte de 400 funcionários públicos. Entre as anomalias reveladas por ISTOÉ está a declaração de renda recheada de bens não identificados e sem origem. As esquisitices de Corrêa do Lago, no entanto, não estão restritas à sua declaração de renda. Uma boa olhada na gestão à frente da Biblioteca Nacional (BN) revela um controvertido estilo de administração que realiza uma espécie de privatização informal da instituição, sem licitação. Basta checar as parcerias tocadas por ele, a começar pela tabelinha com a Fundação Miguel de Cervantes (FMC). Outra parceria estranha resultou na criação da revista Nossa História. Apesar da chancela e da utilização do rico acervo de texto e imagem da instituição, a revista em seu expediente informa que é propriedade da "Administradora e Editora Vera Cruz Ltda.", uma empresa associada ao Banco Alfa. As contradições foram denunciadas ao Ministério Público Federal e o procurador Maurício Manso investiga o caso. Além de ser investigada pela força-tarefa e pelo MP do Rio de Janeiro, a gestão de Corrêa do Lago vai também ser objeto de uma devassa por uma comissão do Ministério da Cultura, criada na terça-feira 13 para investigar as denúncias de ISTOÉ.

21 julho 2004

O namorado da natureza

Por vaidade, brincadeira ou puro flanar alcoólico, o pintor José Pancetti apagou dois anos da sua existência ao escrever sua autobiografia na década de 1950. "Eu, campineiro, nasci em 1904", relata ele no início do texto. Pois o engano proposital fez escola e, hoje, enciclopédias e livros de arte registram a mesma data. Na verdade, o artista nasceu em 1902, conforme afirma Max Perlingeiro, presidente da Pinakotheke Cultural, em cuja sede paulista inaugurará na quarta-feira, 5 de novembro, a mostra José Pancetti (1902-1958) marinheiro, pintor e poeta. Perlingeiro teve acesso à certidão de nascimento do pintor e acha muita graça no erro histórico daquele que transformou em arte "o amor exagerado pelo mar".[Junto com a exposição a Edições Pinakotheke lança o livro José Pancetti (1902-1958): marinheiro, pintor e poeta (120 pp., R$ 50).]

4 novembro 2003

Da madeira aos livros

O negócio da família é um colosso: 28 lojas de madeira e R$ 180 milhões de faturamento anual. Os planos de expansão da rede não param de sair do papel. Tudo vinha dando certo na vida do empresário Samuel Seibel, herdeiro da Leo Madeiras e até o fim do ano passado um dos comandantes da empresa. E continua dando certo, o que torna ainda mais inusitado o fato de que Seibel tenha jogado tudo para o alto (menos a participação acionária na companhia). Leitor voraz e frequentador assíduo de livrarias, Seibel acabou comprando uma para si próprio. Desde janeiro, é dono da Livraria da Vila, um aconchegante estabelecimento encravado na descolada Vila Madalena, em São Paulo. Entre a determinação de mudar de ramo, tomada em visitas às simpáticas livrarias cariocas, e a entrega do cheque a Aldo Bochini, o antigo dono, transcorreram dois meses. A primeira vantagem da troca do colosso familiar por um negócio que faturou R$ 3 milhões no ano passado é visível: Seibel recebe seus convidados e despacha com os funcionários em um escritório improvisado nas mesinhas de café sob a sombra de uma jabuticabeira.

19 março 2003

Páginas mágicas

Nestes dias em que o mundo real se encontra ao alcance de um mouse, o grande dilema do editor virtual é como falar quase tudo ocupando pouco espaço, uma vez que a telinha do computador não consegue prender a atenção do jovem internauta por muito tempo. Para suprir esta demanda ou, em linguagem técnica, a falta de conteúdo, felizmente ainda existem os livros. Editoras como a Ediouro, com sua coleção Clássicos para o jovem leitor, trazendo obras famosas de todos os tempos, ou a Scipione, que acaba de lançar Hamlet, de Shakespeare, em versão light amaciada por Telma Guimarães Castro Andrade, vão ao encontro da idéia de oferecer literatura de qualidade ao público infanto-juvenil. Se o leitor não se anima diante de um texto original mais denso, há o recurso da leitura "mastigada". Monteiro Lobato foi um pioneiro nesta área. Trouxe, inclusive, para seu Sítio do Picapau Amarelo personagens clássicos, como D. Quixote e Peter Pan. Empenhada com o novo filão, Ana Maria Machado acabou de tirar do forno seu Portinholas (Mercuryo Jovem, 48 pp., R$ 25), no qual escreve sobre os mistérios da criação artística.

19 março 2003