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eraOdito

Projeto Pau-de-arara

Para não deixar ninguém na mão, pensei rapidamente em um projeto. Um pacote turístico que contemple os escritores que ficarão aqui no Brasil, roendo e remoendo, a ler navios. O meu projeto se chama Pau-de-Arara. A saber: serão escolhidos 16 escritores idem para passarem um ano inteiro (não um mês) em cidades distantes do nosso país. Vivendo a 100 reais mensais. Para que mais? Literatura é sofrimento, não é mesmo? A viagem será feita a pé, de ônibus e caminhão. Destino: Buenos Aires, em Pernambuco. Barcelona no Rio Grande do Norte. E a cidade de Nova Iorque, no Maranhão. Vou atrás de patrocínio, certo? E depois anuncio os contemplados. O que acham? De minha parte, vou para o inferno.

21 março 2007

Carta aberta ao escritor Mario Sabino

Sabino, só posso pedir socorro a você. Aí, dentro da Veja. Você será meu ponto de respiração, creia. Minha escapatória. Você que, além de redator-chefe da revista, é escritor, ora. Sinal de que você vai me ouvir. Porque com o Jerônimo [o Teixeira] eu não posso mais conversar. Ele não me ouve. Ele parece uma criança mimada. De pistola automática na mão só quer saber de atirar. Em toda parte, nesta segunda-feira, tive que responder: "a crítica do Jerônimo foi pessoal, vingança desigual". O pessoal me olha assim, enviesado. Mesmo que eu tenha sido apontado, entre outras láureas, oh!, como "Revelação da FLIP 2004". Fiquei sabendo, até, que Jerônimo publicou um livro e vocês não deram nenhuma página. Por quê? Meus personagens carregam essa coisa meio bamba. Meio pobre mesmo. Ele até falou isso: que eu vivo valorizando a minha infância "sertaneja". Mas, Sabino, me explica: de qual fome eu vou falar? Polonesa, francesa? O Jerônimo falou, lá na matéria, que eu faço, no conto "Totonha", um "elogio da ignorância". Assim, como se fosse eu a favor do analfabetismo. E olha, eu bem que sou. Mas não vou nem explicar. A ignorância da Totonha não é a mesma do Jerônimo, entende? Diz tudo isso para o Jerônimo. Não como escritor. Fala como patrão. Isso, como patrão. Aí tenho certeza de que ele vai ouvir.

18 julho 2005

Jerônimo, o matador

(Marcelino Freire não deixou barato a acidez de Veja. Rebateu sem dó. Leia sua resposta a seguir.) Falarei do Jerônimo, o Matador. O Jerônimo cabreiro, sorrateiro e que me entrevistou para a revista Veja desta semana. O olhar do Jerônimo (de sobrenome Teixeira) era frio, longínquo. Como se tivesse me raptado, eu no cativeiro. Jerônimo me ligou para marcar um papo sobre dois assuntos, segundo ele: o Literatura Urgente e os meus Contos Negreiros. Estranhei: o que tem a ver o cu com a cara da carranca? Respondeu-me, cheio de artimanha: você é um dos "líderes" do Movimento. E mais: farei uma lincagem, na reportagem, com o lançamento do seu novo trabalho. Não acreditei. Não pode ser verdade. E foi no que deu: o cara perguntou tudo e molecou as respostas, minhas e as do Ademir Assunção, a serviço do seu discurso. Seu não, o da revista. Não é à toa que lá, ao lado da matéria de uma página inteira, note, há uma outra, assinada também por ele, sobre outro nazista, o Adolfo Hitler. Confira, se puder. Mas não compre a revista. Falei para ele que nós, sobretudo, nos organizamos, assim, porque nunca nos sentimos representados pelas instituições que, digamos, estão aí para nos "representar". Até falei: não entendo as perguntas que você me pergunta, pá, pá, pá. Parece que a gente é um bando de corrupto. Falcatrua na literatura. Porra! Não é nada disso. É essa, apenas, a primeira vez em que os escritores se sentam para confabular. Avançar em algumas questões. Clamar por algumas responsabilidades. Por exemplo: como melhor utilizar a estrutura já montada das universidades. O escritor ir para discutir a sua obra com os alunos por aí. Como acontece em outros países. Até nos mais pobres que o nosso, a exemplo de Cuba. E os nossos consulados pelo mundo, falei para ele. Por que não realizam nenhum intercâmbio, Jerônimo? É coisa fácil e não carece de muito dinheiro. E o Jerônimo entendia, matreiro: câmbio. Estou falando de um projeto básico. De bolsas de criação, como a extinta Vitae. Jerônimo, você é muito novo para esse olhar incrédulo. Repito: hitlerista. Jerônimo, é bem verdade, perguntou sobre os meus Contos Negreiros. Mas já era tarde. Não conseguiu dissimular o desinteresse. Tocou no tema, forçosamente. "Quanto mais miserável o escritor melhor", parecia dizer Jerônimo, o Matador. E disse e atirou. Pensando ele que nos matou.

14 julho 2005

Tudo, menos poesia

Já tem título o novo livro de Marcelo Mirisola, a sair pela Editora 34 no segundo semestre. Chama-se Menos Poesia. Em um mesmo volume, o autor reunirá crônica, conto, teatro (uma peça inédita, "Luto", que Mirisola escreveu para o Mário Bortolotto). E tem ainda a novela "Acaju" (aquela publicada na revista Cult), a "Carta para o Gombro" (que está na nova revista Ficções, a ser lançada no dia 5 de abril, no bar Genésio) e outras mumunhas mais.

30 março 2004

La Denser na W11

Todo mundo sabe o quanto Paulo Francis era fã da escritora Márcia Denser. Pois bem: La Denser acaba de ser convidada por Wagner Carelli para publicar o seu novo livro lá na W11, a casa editorial do Francis etc. Beleza! O livro, chamado Caim, é o primeiro romance da escritora paulistana.

18 março 2004