Revolução impressa
Um dos sintomas mais nítidos do aumento de profissionalismo e qualidade das edições brasileiras está, sem dúvida, nas traduções. Se, há apenas alguns anos, o hábito das editoras era recorrer às versões inglesas e/ou francesas para verter para o português as mais distantes e estranhas línguas, o quadro que temos hoje, por contraste, representa uma verdadeira revolução. Esse movimento teve início com iniciativas ousadas de grandes editoras do passado. Um caso exemplar é o da antiga Globo, de Porto Alegre, que, entre as décadas de 30 e 50, lançou um projeto de edições de clássicos respeitável até hoje, convidando autores nacionais importantes. Uma série de fatores fizeram com que as editoras brasileiras começassem a assumir como natural a necessidade de traduzir diretamente das línguas, por mais exóticas que fossem ou parecessem - do japonês ao árabe, do servo-croata ao catalão, passando até pelo alemão. E isso não ocorreu apenas com as grandes e tradicionais casas - Record, Companhia das Letras, Nova Fronteira, Objetiva, Rocco, Martins Fontes -, mas também com médias e pequenas, como a Estação Liberdade, a Berlendis & Vertecchia, a 7Letras. Ou mesmo selos como a Paraula, de Porto Alegre, e a Giordano, de São Paulo. A norma agora, em todos esses casos, é traduzir diretamente do original e recorrer a uma tradução intermediária apenas em último caso e, mesmo assim, com mil cuidados.
5 abril 2004