Salão do Livro de Paris
Terminou nesta quarta-feira, dia 22, o Salão do Livro de Paris com cerca de 180 mil visitantes, 1.200 editoras, sendo 300 estrangeiras, e em meio aos 500 estandes distribuídos em 50.000 m² de exposição. A 26ª edição do evento, sob o slogan: "Le Salon du Livre de Paris: le lieu de tous les possibles" [Salão do Livro de Paris: o lugar de todos os possíveis], tem como tema o "Francofffonies" - festival da francofonia -, iniciado em 16 de março e que vai até 9 de outubro, homenageando o 100° aniversário de Léopold Sédar Senghor (escritor e presidente do Senegal de 1960 a 1980). Criado em 1981, por Henri Flammarion, o salão de Paris ganha importância a cada ano e atrai um grande número de editores, livreiros, escritores e agentes literários, mas é voltado essencialmente ao público-leitor. A presença brasileira no salão ficou a cargo da Liga Brasileira de Editores (Libre), representada por Araken Ribeiro (da editora Contra Capa), Mary Lou Paris (editora Terceiro Nome) e Ivana Jinkings (da Boitempo Editorial). Ocupamos parte dos 45 m² do estande organizado pela Aliança de Editores Independentes - que congrega 70 editoras de 40 nacionalidades diferentes -, de que fizeram parte também os representantes da Associação de Editores Africanos Francófonos, a Afrilivres. Apesar de fazer parte do catálogo impresso do Salão do Livro de Paris, o estande oficial brasileiro esteve ausente dessa 26ª edição. A razão, segundo informações dos organizadores em Paris e de brasileiros que trabalharam pelo Brasil em anos anteriores, é de que as contas do nosso estande em 2005 não foram pagas pela Biblioteca Nacional (à época sob a direção de Pedro Correia do Lago). Numa rápida observação, pode-se dizer que o processo de concentração editorial na França também avança, porém a passos menos largos. As editoras pequenas - que aqui, como no Brasil, são as que mais se preocupam em manter a diversidade bibiográfica e as que não se submetem ao processo perverso de mercantilização da cultura - no país de Balzac contam em geral com subsídios dos governos municipais e regionais de esquerda. As livrarias independentes, que obedecem à lei do preço único da mesma forma que as redes, resistem ainda. Em Paris, ainda não pegou a moda de venda de vitrines tão em voga em outras grandes cidades dos EUA e... do Brasil! Aqui, tal como no Brasil, faltam políticas públicas para o livro. Mas o toque inicial está dado. Esperemos.
24 março 2006