Dois poetas que levam a ‘verdadeira vida’
Se você não perde tempo com versos e rimas, sugiro que mude de ideia e experimente ler autores tão bons como Tarso de Melo e Marcus Fabiano Gonçalves
Ao longo de séculos, poesia foi uma espécie de mania cultivada por meia dúzia de pessoas, de geração em geração, janela que dava para um mundo paralelo, onde os sonhadores se refugiavam. Mas sobretudo a partir do século XIX, graças a rebeldes como Baudelaire ou Rimbaud, e graças aos grandes poetas do século XX, como o nosso Drummond, passou a ser encarada como uma das mais poderosas ferramentas de que o homem dispõe na busca de um sentido, uma razão de ser para o mundo em que vivemos. A janela se multiplicou numa quantidade de portas que levam à realidade em que todos pisamos, com perplexidade crescente. Cada vez mais pessoas descobrem o poder revelador da linguagem poética, forma de resistência contra a desumanização que vai tomando conta deste mundo em que tudo é ou parece descartável. E não é só na internet, é fora também. Nunca se publicou tanta poesia como nos últimos anos, apesar de os editores insistirem em que “poesia não vende”; nunca surgiram tantos poetas novos, a cada ano; nunca houve tanta avidez por “poesia”, como nos dias de hoje.
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