Reedição de obra de Gilberto Freyre se justifica pelo valor histórico
A reedição de ‘Talvez Poesia’ se justifica por se tratar de um documento, trazendo um traço do jeito de ser gilberteano, muitas vezes glosado por ele mesmo: a vaidade.
Para Gilberto Freyre (1900-1987), “o sociólogo, o antropólogo, o historiador, o cientista social, o possível pensador são em mim ancilares do escritor”. É como se identificasse nessa qualidade uma espécie de virtude metodológica que fosse necessariamente de par com seus esforços analíticos de explicação da sociedade. Seja como for, nos seus ensaios são mobilizados recursos comuns à prosa literária. Uma sintaxe própria que incorpora coloquialismos, uma narrativa quase nunca linear, em que a ordem expositiva da demonstração do argumento é abandonada e os assuntos vão se acrescentando por analogias. O caráter fugidio da realidade social – o seu assunto – pediria a combinação dessas manifestações múltiplas da linguagem, e o resultado, para ele, seria necessariamente incompleto, ambíguo. Convicção que vai se refletir – não sem um traço de falsa modéstia – em inúmeros de seus títulos, onde são utilizados termos como “introdução”, “quase”, “semi”, “sou e não sou”, “apenas” e neste Talvez Poesia (Global, 208pp., R$ 42), de 1962, que inclui na nova edição os poemas de Poesia Reunida (1980) e duas poesias inéditas.
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