Fase menor de Dostoiévski guarda prodígios de invenção
Em Dostoiévski, a cobiça guarda um desejo de reconhecimento espiritual, de salvação da vala comum, que aproxima o reles do sublime.
A obra madura de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), que começa a partir da novela Memórias do Subsolo (1864), é tão poderosa que seus livros anteriores parecem prelúdios aos “anos milagrosos” –expressão do biógrafo Joseph Frank para o período em que o romancista russo escreve Crime e Castigo (1866), entre outros. Mas Dostoiévski é como Bach: além de alcançar extremos de beatitude e compaixão, divertimento e meditação, até mesmo suas obras “menores” guardam prodígios de invenção. A aldeia de Stepántchikovo e seus Habitantes (Editora 34, 352 pp., R$ 49, trad.: Lucas Simone) O Sonho do Titio e Sonhos de Petersburgo em Verso e Prosa (estes dois reunidos agora em Dois Sonhos (Editora 34, 240 pp., R$ 44, trad.: Paulo Bezerra)) são livros cronologicamente intermediários, entre as obras que o lançaram literariamente (Gente Pobre, de 1846) e a fase tardia.
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