‘Platão não estava doente’ usa personagens para revelar pensamento camuflado
Professor de Filosofia da PUC Marcelo Perine conduz investigação sobre a tradição indireta do platonismo, as chamadas doutrinas não escritas
Há mais de dez anos o professor de Filosofia da PUC Marcelo Perine dedica-se a uma pesquisa sobre a tradição indireta do platonismo, isto é, as chamadas doutrinas não escritas de Platão, o filósofo grego que revelava seu pensamento por meio de diálogos entre mestres e discípulos, ocultando a si mesmo em seus escritos. Essa estratégia é analisada pelo professor em seu novo livro, Platão não estava doente (Loyola, 312 pp., R$ 68), frase extraída de seu Fédon e que dá título ao volume. Platão não estava mesmo doente na despedida de seu mestre Sócrates, condenado à morte pelas autoridades atenienses em 399 a.C., acusado de corromper a juventude. A frase do Fédon, segundo Perine, “traduz uma estratégia de ocultamento, pela qual Platão sinaliza claramente que a sua obra escrita não pretende se apresentar como um conjunto de documentos históricos”. Para entender Platão é preciso misturar a tradição direta dos escritos e a indireta, ou seja, o legado deixado por seus discípulos.
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