Produção literária de Chico Buarque
Romances são incursões densas por temas nacionais e estrangeiros
Contra o reconhecimento da excelência do Chico Buarque romancista pesam fatores vastos. Um deles terá a ver com o simples ciúme: como pode ser que um gênio da canção, com capacidade de expressar os sentimentos de todo e qualquer brasileiro, seja também bamba no gênero de maior prestígio letrado? Mas é. Seus quatro romances, um conjunto coeso, dos mais expressivos na atualidade em qualquer língua ocidental, são incursões substantivas tanto em temas de raiz estritamente brasileira quanto internacionais. Benjamim (1995) revisita a ditadura militar brasileira, e Leite derramado (2009) dá voz a um moribundo herdeiro da velha história patriarcal escravagista nacional. Já a violência terceiro-mundista aparece em Estorvo (1991), enquanto Budapeste (2003) trata do desenraizamento e a morte das identidades modernas.
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