Sobrevivente relembra lado pouco conhecido de Auschwitz
Foram visitas a Auschwitz que desencadearam um processo que levou o autor à escrita
Ao se perguntar qual seria, na paisagem de sua infância, a experiência mais bonita, Otto Dov Kulka não tem dúvidas: aviões cruzando um céu “azul e lindo, e lá longe, lá longe naquele dia claro de verão, montes azuis distantes como se não fossem deste mundo.” E arremata: “Esse era a Auschwitz daquele menino de 11 anos”. Kulka conheceu uma Auschwitz que poucas vezes foi representada. Ele fez parte do grupo de famílias que foram mantidas em um raro bloco onde as crianças podiam desenhar, fazer teatro e até cantar. Isso a apenas poucos metros da câmara de gás. Foram visitas a Auschwitz, sobretudo uma em 1978, que desencadearam um processo que o levou à escrita de Paisagens da metrópole da morte (Companhia das Letras, 160 pp., R$ 37,50 – Trad.: Laura Teixeira Motta). Ele concentra, em um estilo único, quase seco, sete décadas daquela (não-)experiência.
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