Em busca das livrarias perdidas de Nova York
Um passeio no rastro de templos dos livros que fecharam as portas nos últimos anos, como Coliseum Books e Gotham Book Mart
Pesadelo. Daqueles que você quer acordar a todo custo. O real assusta demais: o lugar é exato, o número é certo, mas não há nada do que você esperava encontrar. Não estamos na Lincoln Square? Então?! Havia aqui uma Barnes & Noble colossal com um mundaréu de gente entrando e saindo pelas portas giratórias! Você segue até 1771 Broadway na esperança de encontrar a querida Coliseum Books e as vastas vitrines que encantavam a quem passasse. O absurdo é maior. Não há vitrines nem livraria nem o prédio que as abrigava. Tudo foi coberto por um laminado gélido sem identidade alguma. Você não se conforma, sabe que ali na rua 57 está a imponente Rizzoli. Ânimo! São só mais uns passos e… Onde foi parar a bela fachada? Onde as paredes e escadas de madeira, os lustres de cristal? Onde os livros de fotografia e arte? Demoliram tudo?! Impossível! O que está acontecendo, pelo amor de Deus?! Você se debate, precisa acordar, porque se perde em um labirinto sem fim de endereços inúteis e livrarias inexistentes. Até a Bretano’s, uma das mais lindas de Manhattan! Ficava no edifício da Scribner’s — a editora de Fitzgerald e Hemingway! Acabou como as outras. Como uma cidade sobrevive sem livrarias? Como consegue respirar? Henry Miller, Kerouac, Ginsberg, não fiquem aí calados! Façam alguma coisa!
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