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Voltar EVENTOS LITERáRIOS

Cosac lança obra sobre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

14 de outubro de 2026
4 min de leitura
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​Renata de Almeida faz o lançamento oficial de 'Antes que eu me esqueça' em coquetel e conversa com mediação de Alvaro Machado nesta quinta-feira (15)

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Nesta quinta (15), data da abertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a varanda do Solar Fábio Prado (Av. Brig. Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano — São Paulo / SP) recebe a autora Renata de Almeida e o jornalista Alvaro Machado para um bate-papo com público e lançamento do livro Antes que eu me esqueça: Um ensaio de lembranças para os 50 anos da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Cosac Edições).

Na obra, a diretora e autora Renata de Almeida coloca no papel suas memórias desde que começou a trabalhar no evento, em 1989. São histórias divertidas e de resiliência, de encontros proporcionados pela Mostra e de momentos importantes de sua vida pessoal. Com prefácio de Walter Salles e coordenação editorial de Alvaro Machado, o livro sai pela Cosac.

O livro reúne fotografias que pontuam as lembranças da autora e compõem, ao lado de seu relato, uma memória afetiva e visual da trajetória de um dos mais importantes festivais de cinema da América Latina.

O auditório do Museu de Arte de São Paulo, em outubro de 1977, com o público da 1ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo | © Divulgação

Codiretora desde a 14ª edição, Renata começou no festival em seu 13º ano, 1989. Ela recupera no livro histórias saborosas de bastidores, desafios, conquistas e encontros inesquecíveis. Das sessões históricas aos filmes perdidos na alfândega, das gafes técnicas à convivência com cineastas como Manoel de Oliveira, Abbas Kiarostami, Wim Wenders, Quentin Tarantino e Pedro Almodóvar, suas lembranças compõem um retrato afetivo da Mostra e das transformações do cinema e da própria cidade de São Paulo. “O caminho escolhido para este livro foi o das relações, dos encontros e desencontros que a Mostra e a vida me trouxeram”, escreve.

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Ao longo desses anos todos, foram muitas crises políticas e econômicas, além da pandemia de Covid-19, que impactou o cenário cultural como um todo. Ela relembra seu primeiro ano completo com a Mostra: “A 14ª foi a primeira que realizei inteira, acompanhando toda a seleção e a produção. Foi um batismo de fogo, pois, em 16 de março de 1990, foi lançado o Plano Collor, com suas consequências nefastas”. E reflete: “Às vezes me perguntam sobre resiliência. Considero que o treino começou naquele 1990 do Plano Collor. O fato de ter de realizar a Mostra como produtora num ano de crise exigiu muitas adaptações e resistência para lidar com os humores que essas situações trazem. Acredito que os cenários difíceis e a maneira como lidamos com eles nos moldam e definem muitos pontos da nossa personalidade. E as circunstâncias adversas seriam várias nesse novo caminho escolhido”.

No prefácio, Walter Salles ressalta o papel da Mostra como espaço de resistência, liberdade e formação de público, além de sua importância para o cinema independente e autoral. “Em todas essas frentes, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, conduzida apaixonadamente por Leon Cakoff e Renata de Almeida, desenvolveu, ao longo da sua história, um trabalho essencial”, afirma o cineasta.

O ator Patrick Bauchau, Renata, Abbas Kiarostami e Leon Cakoff, na avenida Paulista, durante a 17ª Mostra | © Divulgação

Ao final de seu relato, Renata reflete: “Em todas as edições, pergunto-me se ainda tem sentido a Mostra existir num mundo em que quase tudo está à mão para quem sabe onde procurar. Mas temos um público que cresce e se renova. Vejo jovens que chegam pela primeira vez e se aventuram pelas salas de cinema. (…) Acredito, então, que, se a Mostra nasceu quando vivíamos num “deserto” por causa da censura do governo civil-militar, hoje vivemos num oceano, porém num oceano em que tudo parece ter o mesmo peso e o mesmo valor. Então ela se tornou algo como um amigo de confiança que, às vezes, nos aconselha, mas em outras nos provoca, um amigo que diz: ‘Por que você não vai ver aquele filme? Eu gostei e acho que você também vai se interessar’, ou ‘Vai ver aquele outro, que vai te surpreender’”.

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Beatriz Sardinha

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