O que estou lendo: Crib Tanaka
Enquanto escreve o seu primeiro romance, escritora, editora e estrategista de marca carioca indica a leitura da autobiografia de Gloria Steinem, que nos deixou muito recentemente
“Gloria Steinem (1934–2026) partiu no início deste mês, depois de seis décadas dedicadas aos direitos humanos. E foi inevitável voltar a Minha vida na estrada (Bertrand Brasil, 2017), o seu livro autobiográfico, em que ela reúne memórias das viagens que fez enquanto se descobria e se firmava como ativista pela igualdade.
Duas passagens ficaram comigo. A primeira é sua temporada na Índia, nos anos 50, quando descobriu o valor de sentar em círculo para ouvir e falar, algo que levaria para toda a vida. A segunda é sua participação na Conferência Nacional de Mulheres de 1977, em Houston, no Texas, um divisor de águas na segunda onda do feminismo. O evento reuniu cerca de 20 mil pessoas, durante quatro dias, para construir um Plano Nacional de Ação com recomendações de políticas públicas pelos direitos das mulheres, e contou com nomes como Maya Angelou, Coretta Scott King e muitas outras vozes importantes. Tudo isso aparece descrito nas páginas.
Também me marcaram, durante toda a leitura, além da força e sensibilidade de Gloria, a sua abertura para o aprendizado constante, o gosto pelo nomadismo (herdado do pai) e o “seguir” — sabendo que ela tinha uma missão, que, aos poucos, foi se firmando como a de grande porta-voz e realizadora de movimentos.
Gloria foi também cofundadora da Ms., primeira revista americana de circulação nacional criada e dirigida por mulheres, que levou ao debate público temas como assédio sexual, desigualdade salarial, direitos reprodutivos e violência doméstica.
Recomendo muito a leitura do livro a quem quer ampliar o olhar sobre igualdade pela história de uma mulher que lutou a vida inteira por ela e para quem precisa de coragem para seguir o que acha que deve ser feito.
Crib Tanaka é escritora, editora e estrategista de marca. Jornalista, com MBA em Marketing, desdobrou seu estudo sobre feminismo no projeto REFLETE, que deu origem a um selo com três livros escritos por mulheres, publicados entre 2016 e 2018. É autora de À superfície (Another Hot Book, 2017) e coautora de Jorge da Capadócia: os bastidores do primeiro filme sobre o Santo Guerreiro (Editora Batel, 2023). No momento, trabalha na escrita do seu primeiro romance.
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