Obra realça preocupação de Camus com a religião
Para os leitores acostumados com o Albert Camus (1913-1960) de O Estrangeiro, com o Camus do “pensamento mediterrâneo”, o livro de Howard Mumma que acaba de ser lançado, Albert Camus e o Teólogo (Carrenho Editorial, 128 pp., R$ 22), será uma surpresa. Pastor metodista que viveu na França nos anos 50, Mumma relata uma série de encontros com o escritor. O retrato que surge é o de um homem consumido por aflições espirituais, um ateu a contragosto, obsecado pela tentativa de dar um sentido aos dilaceramentos morais e políticos de uma Europa traumatizada pela Segunda Guerra e pelo Holocausto. A preocupação de Camus com o pensamento religioso não chega a ser uma novidade, mas certamente ocupa um lugar menos conhecido de sua obra. As reuniões entre Mumma e Camus ajudam a traçar a origem teológica de alguns temas de suas obras. A longa discussão sobre a teodicéia (a justificação da existência do Mal em um mundo governado por um Deus supostamente onipotente e misericordioso) é o ponto alto do livro e permite o confronto entre a visão de Mumma e a insurreição metafísica de Camus.
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