Joyce sem legenda
E o Brasil crava sua bandeira no topo da Torre de Babel. Publicado originalmente em 1939, considerado o trabalho mais complexo e intraduzível de toda a literatura contemporânea, Finnegans Wake (540 pp., R$ 70), de James Joyce, ganha sua versão completa em português. Está chegando às livrarias Finnicius Revém – Livros 3 e 4, quinto e último catatau da série publicada pela Ateliê Editorial e traduzida (ou transcriada, como ele prefere) por Donaldo Schüler. A empreitada coloca o país em um grupo menor, bem menor, do que o G-8. Só a França e o Japão tinham edições completas do romance que o escritor irlandês, nascido em 1882 e morto em 1941, levou 16 anos escrevendo. Itália, Alemanha e Espanha têm traduções parciais, o que o Brasil já tinha desde os anos 60, com o pioneiro Panaroma do Finnegans Wake (Perspectiva), de Augusto e Haroldo de Campos. Donaldo Schüler, 70, bebeu justamente nessa fonte para começar seu trabalho. O primeiro volume de seu Finnegans Wake é inclusive dedicado a Haroldo de Campos, e Finnicius Revém, título com o qual batizou sua versão, é o mesmo criado pelos concretistas.
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