Delicioso poema satírico de Byron em louvor à sua romântica Veneza
A presença de Byron na poesia inglesa sofreu no século XX uma completa e, ao que tudo indica, definitiva revisão. Personagem de maior influência na poesia ocidental durante as décadas de 1810 e 1820, o seu nome chegou a formar uma espécie de trio obrigatório com os de Keats e Shelley, o que parece quase um sacrilégio para o leitor atual. Três coisas, no entanto, ninguém disputa a Byron: a importância histórica, o seu fascínio biográfico e a qualidade dos poemas satírico-narrativos da sua última fase, especialmente o inacabado Don Juan. Beppo, uma história veneziana (Nova Fronteira, 170 pp., R$ 25), delicioso poema satírico em cem oitavas, na forma tipicamente latina da oitava-rima, é agora reeditado na excelente tradução de Paulo Henriques Britto, com diversas correções. O fio narrativo é uma história das mais simples, versão cômica do tema da reaparição de um marido desaparecido por muitos anos. O que Byron quer, na verdade, é tecer seus comentários, de modo que é a sua onipresença de narrador que realmente assume o papel de protagonista nos poemas dessa fase.
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