Por que os livros ficaram mais bonitos
A variedade de formatos de livros não é uma novidade da indústria editorial brasileira. O que fica claro é que a capacidade de aproveitar essa variedade se disseminou. Livro bonito e bem acabado também deixou de ser sinônimo de livro de arte, ao mesmo tempo em que passou a integrar o catálogo de empresas de todos os tamanhos e especialidades. O aprimoramento da qualidade dos livros e a diversificação de suas formas no País têm vários fundamentos. Desde os investimentos realizados pela indústria gráfica na compra de equipamentos até a difusão da idéia de que o livro depende de um projeto completo, inclusive visual. Há outros marcos, porém, lembrados por outros entrevistados – a crescente ida de editores brasileiros à Feira de Frankfurt a partir dos anos 1980, o cuidado dos livros publicados pela Companhia das Letras a partir do fim da mesma década e, mais recentemente, as edições da Cosac & Naify feitas por Raul Loureiro. Sobre a expansão da capa dura, Luciana Vilas-Boas, da Record, é taxativa: “Acho que a capa dura está entrando para justificar aumento de preço.” Na editora paulista Hedra, a análise é parecida. “Esse processo é deletério; parece que é legal, mas ele está deixando os livros mais caros”, afirma Iuri Pereira, um dos sócios da Hedra. Enquanto ele fala, outro sócio seu tira da estante obras francesas, com capas simples, sem orelhas, apenas com o título gravado em preto. Até agora, no entanto, há poucos sinais de fórmulas mais simples capazes de agradar a seu público.
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