A ação de Lacan ao ultrapassar fronteiras disciplinares
Durante anos, e até pouco antes de sua morte, o psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981) manteve dois hábitos: atender seus clientes em sessões polemicamente curtas e proferir palestras, que reuniam uma multidão de estudiosos e curiosos e nas quais, para iluminar casos clínicos, ele tanto solicitava a ajuda de idéias de Freud quanto de Platão e Heidegger. Essa atitude de Lacan de entrar no campo da filosofia motiva os 12 artigos do livro Um Limite Tenso: Lacan entre a Filosofia e a Psicanálise (Unesp, 370 pp., R$ 30). A obra reúne nomes de peso de ambas as áreas, como Paulo Eduardo Arantes e Bento Prado Junior, Alain Badiou, Monique David-Ménard e Peter Dewes. A partir de pontos de vista diferentes, os autores observam o papel do mestre francês na história das idéias, sem deixar de apontar discordância e insatisfação com o resultado de alguns de seus caminhos e conclusões.
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