Briga de família em clima rodriguiano
Um pequeno terremoto agita as habitualmente estáveis relações do mercado editorial brasileiro. O pivô do abalo é nada menos que o dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Hoje é o último dia para as editoras interessadas em ter o passe do autor da série A vida como ela é enviarem suas propostas para uma tomada de preços – uma espécie de licitação – que corre na Justiça. As empresas vencedoras poderão se tornar donas dos direitos de publicação da obra, divididos hoje entre a Companhia das Letras (prosa) e a Nova Fronteira (teatro). Quem decidiu pela tomada de preços foi Marilda Rosa Linhares, a inventariante do espólio do dramaturgo. Marilda substituiu a viúva de Nelson, Elza, ocupante do posto até 2001 que foi destituída através de uma petição apresentada pelo advogado dos filhos que o dramaturgo teve fora do casamento com Yolanda Santos. A ação da inventariante dividiu a família. Sônia Rodrigues se diz satisfeita com o leilão: “Apóio a iniciativa da inventariante, de convocar o mercado para a tomada de preços e a apresentação de uma proposta de tratamento diferenciado da obra do meu pai”. Jofre Rodrigues não esconde o aborrecimento com a história. “Meu Deus! A obra do meu pai estava nas melhores editoras! Para que mexer nisso? Eles pagavam os direitos autorais religiosamente, não temos queixa alguma”, alfineta.
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