Em nome de uma uma nova utopia
Uma das palavras de ordem dos movimentos feministas, nos anos 70, era que o pessoal é sempre político, e que não bastava mudar o mundo, como pretendia Marx, mas era preciso ainda mudar a vida, como sonhava Rimbaud. Talvez a característica mais impressionante do livro de Rosiska Darcy de Oliveira – Reengenharia do tempo (Rocco, 148 pp., R$ 24,50) – é a fidelidade a essa grande tradição, manifestada num discurso que por não ter nada de panfletário e por ser totalmente atento às realidades contemporâneas dá a impressão ilusória de que a autora abriu mão desse lado radicalmente subversivo do feminismo clássico. O equívoco é estimulado, provocativamente, pela própria Rosiska, e isso desde o título, quando ela se apropria de uma expressão tecnocrática pela qual os gerentes querem aumentar a competitividade de suas empresas.
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