Shakespeare apaixonante
Uma das explicações mais consensuais para a popularidade de William Shakespeare (1564-1616) é a extrema preocupação que sempre teve em ser compreendido por aqueles menos letrados. Pode parecer exercício de soberba afirmar que Shakespeare é tão fácil quanto as centenas de livros de auto-ajuda empresarial ou administrativa que lotam as estantes de homens de negócio. No entanto, basta um pouco de familiaridade com a obra do poeta universal para jogarmos no lixo as lições dos autores que fazem sucesso com suas pregações de “management”. Na semana passada, mais uma vez, repetiu-se a cena que está se tornando comum no Brasil, ou bem mais comum do que pode imaginar nossa vã filosofia: um auditório lotado para discutir a obra do dramaturgo. Por várias horas, alguns dos maiores especialistas brasileiros em Shakespeare, atores e diretores de teatro e de cinema debateram com a platéia na 2ª Jornada de Estudos Shakespearianos, organizada pelo professor John Milton, no Departamento de Letras Modernas USP. Mas era simples coincidência o evento estar em ambiente acadêmico. Nos últimos anos, Shakespeare invadiu novos palcos, salas de visitas e até empresas, tamanha tem sido a procura por sua dramaturgia, 400 anos depois de sua morte.
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