A origem do horror
O que um texto português de 1614 tem a ver com a experiência do horror contemporâneo? Para o teórico e crítico de literatura Luiz Costa Lima, muita coisa. Quando dava aulas de Literatura Comparada na Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos, o professor se viu às voltas com um ensaio sobre Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, que narrava a expansão portuguesa na Ásia. A leitura do relato setecentista somou-se a outra experiência, esta bem pessoal. Cercado de miséria, racismo e violência por todos os lados, o campus americano pareceu-lhe uma espécie de ilha da fantasia, distante da áspera realidade que acontecia a alguns metros dali. Costa Lima percebeu, então, uma conexão importante a ser feita: cruzar literatura e história, a fim de analisar a experiência do horror de hoje a partir de suas origens remotas, no século 16, com a expansão colonial do Ocidente. Estava pronto o argumento de O redemunho do horror: as margens do Ocidente (Planeta, 454 pp., R$ 48), o mais recente livro de Costa Lima, que também é autor de clássicos como A literatura e o leitor, Mímeses e modernidade, Intervenções, entre muitos outros.
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