Coetzee, o humanista desencantado
No mês passado, a Companhia das Letras editou o romance Verão em Baden-Baden, de Leonid Tsípkin, um médico patologista russo dissidente do stalinismo que, no fim da vida, publicou obras de ficção. Verão em Baden-Baden, que permaneceu inédito por muito tempo, tem como personagem central o escritor Fiódor Dostoiévski. A mesma editora anuncia para esta semana o lançamento em português de O Mestre de Petersburgo (248 pp., R$ 34,50), do prêmio Nobel sul-africano J.M. Coetzee, livro de 1994. Novamente, o personagem central é Dostoiévski. Mas se Tsípkin usa o autor de Crime e Castigo para falar de dissidentes, em geral, ao longo do século 20, Coetzee limita seu foco ao escritor-personagem e a um período breve de sua vida. Casado pela segunda vez, refugiado em Dresden, na Alemanha – não por motivos políticos, mas escondido dos credores que deixara na Rússia -, Dostoiévski recebe a notícia da morte de seu enteado, Pável Alexandrovitch Isaev. Dostoiévski viaja com passaporte falso, em nome de Isaev, verdadeiro pai do menino. Desembarca em São Petersburgo, capital do império czarista, em outubro de 1869. Vai prestar as últimas homenagens ao enteado e recuperar seus poucos objetos pessoais.
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