Em busca dos leitores
Uma piada corrente pode dar o tom preciso da história da literatura no Brasil. Na véspera do aniversário de um amigo, um rapaz conta entusiasmado ao colega que vai presenteá-lo com um livro. O aniversariante, constrangido, diz: “Obrigado, mas eu já tenho um”. As estatísticas brasileiras mostram, de fato, que a anedota pode ser um retrato fidedigno do brasileiro. O mercado ativo do país é de apenas 17 milhões de pessoas alfabetizadas acima de 14 anos que compraram ao menos um livro no último ano. É nesse cenário pouco inspirador que será inaugurada a 18ª Bienal Internacional do Livro, no dia 15, em São Paulo. Mas os organizadores estão otimistas. Estimam 600 mil visitantes ao longo dos 45 mil metros quadrados do Centro de Exposição Imigrantes, com 260 expositores e 700 atividades culturais distribuídas em dez dias. Em novembro, todos os espaços já estavam ocupados a um custo de R$ 290 a R$ 512 o metro quadrado. Os patrocínios e os apoios variam de R$ 50 mil a R$ 1 milhão. Todos os participantes estão de olhos bem abertos nos leitores ativos, pessoas que leram ao menos um livro nos últimos três meses, número que chega a 26 milhões e corresponde a 30% da população adulta alfabetizada. A média anual de leitura entre os ativos é de 12 obras e a compra per capita de livro não-didático por adulto alfabetizado é de 0,66. Se comparado a países desenvolvidos, a média de leitura por habitante é lamentável. No Brasil, esse índice é de 1,8, contra 7 da França e 5,1 dos Estados Unidos.
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